Em 7 de janeiro de 1943, Nikola Tesla morreu sozinho no quarto 3327 do Hotel New Yorker. Tinha 86 anos. Uma funcionária encontrou o seu corpo dois dias depois, após ele ter colocado na porta o discreto aviso de “não perturbe”. A causa oficial foi trombose coronária. Mas a verdade mais profunda era menos médica e mais humana: anos de isolamento, dificuldades financeiras e um mundo que parecia ter seguido em frente sem o homem que ajudara a iluminá-lo.

Foi ele quem transformou a corrente alternada no sistema que ainda percorre as nossas casas. Pioneiro da transmissão sem fios, da tecnologia de rádio e dos motores elétricos, Tesla acumulou centenas de patentes e imaginou ideias — como comunicação global sem fios e energia renovável — muito antes de se tornarem realidade. Ainda assim, no fim da vida, vivia quase sem recursos.

Nos seus últimos anos, a rotina era simples e silenciosa. Alimentava-se sobretudo de leite, pão, mel e sumos vegetais. Caminhava diariamente até parques de Nova Iorque para alimentar pombos, em especial um pombo branco ao qual devotava um afeto profundo. Disse, certa vez, que a amava como um homem ama uma mulher. Quando ela morreu, algo dentro dele pareceu apagar-se também.

Houve, porém, um tempo em que Tesla fascinava a elite nova-iorquina. Acendia lâmpadas com as próprias mãos, criava relâmpagos artificiais no laboratório e fazia a ciência parecer magia. Investidores acreditavam nele. Multidões admiravam-no. Mas à medida que os seus sonhos se tornaram mais grandiosos — sobretudo a ideia de fornecer energia sem fios e gratuita ao mundo — o financiamento desapareceu. O génio passou a ser visto como excêntrico.

E, no entanto, a morte não trouxe silêncio.

O seu funeral reuniu milhares de pessoas. Cientistas e líderes enviaram homenagens. Anos depois, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos reconheceu a prioridade de Tesla nas patentes de rádio. A história, lentamente, começou a corrigir-se. O mundo que ele ajudara a eletrificar nunca o esqueceu por completo — apenas demorou a compreendê-lo.

Hoje, o seu nome ecoa na ciência, na tecnologia e até em empresas que moldam a era moderna. Tesla morreu sozinho num quarto de hotel, alimentando pombos enquanto a corrente que criara zumbia pelas cidades.

Ele não morreu esquecido.
Morreu depois de mudar o mundo.
E esse legado continua a brilhar, silencioso — como a eletricidade que percorre tudo, mesmo quando não a vemos.

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