Ele perguntou à Rainha se ela alguma vez tinha conhecido a Rainha.
E ela não perdeu um segundo.

Por volta de 2005, numa tarde tranquila perto do Castelo Balmoral, na Escócia, Rainha Isabel II saiu para uma simples caminhada.

Sem coroa.
Sem cortejo.
Sem qualquer sinal de realeza.

Apenas uma senhora de lenço na cabeça e o seu fiel oficial de proteção, Dick Griffin, a percorrer as colinas silenciosas das Highlands.

Dois turistas americanos vinham na direção oposta. Mochilas às costas, entusiasmo nos olhos, conversa fácil de quem está a viver a viagem dos sonhos.

Como sempre fazia, ela parou para cumprimentar.

Eles não faziam ideia de quem estava diante deles.
E ela — com aquele humor discreto que a acompanhou durante décadas — decidiu entrar no jogo.

O homem explicou de onde vinham, por onde tinham passado e para onde seguiriam. Depois perguntou, casualmente:

“E a senhora, onde mora?”

Ela respondeu com serenidade:
“Bem… moro em Londres. Mas tenho uma casa de férias ali do outro lado das colinas.”

Era verdade. Apenas não toda a verdade.

“Há quanto tempo vem aqui?”

“Oh, desde menina… então, há mais de 80 anos.”

O turista parou por um instante, intrigado. Oitenta anos naquele lugar remoto?
Algo ali parecia especial.

Então veio a pergunta que ele acreditava ser brilhante:

“Se vem aqui há tanto tempo… já deve ter conhecido a Rainha.”

Ela sorriu. Um sorriso leve, quase conspiratório.

“Eu não… mas o Dick aqui encontra-a com frequência.”

Dick percebeu imediatamente a deixa. Entrou no teatro com perfeição:

“Ah sim… ela pode ser um pouco temperamental às vezes, mas tem um maravilhoso senso de humor.”

Os olhos do turista brilharam. História exclusiva. Um encontro indireto com a Rainha!

Ele aproximou-se de Dick, colocou o braço sobre o ombro dele e, entusiasmado, entregou a câmara… à própria Rainha.

E ali estava ela — chefe de Estado, símbolo de uma nação, uma das figuras mais reconhecidas do planeta — a tirar a fotografia de dois desconhecidos que jamais suspeitaram.

Depois inverteram os papéis.
Dick fotografou o casal… ao lado da Rainha.

Ainda sem saber.

Agradeceram calorosamente, despediram-se com acenos e continuaram a caminhada, carregando consigo uma história que ainda não sabiam que possuíam.

Quando já estavam longe, ela virou-se para Dick, divertida:

“Gostava de ser uma mosca na parede quando ele mostrar estas fotos aos amigos na América… e alguém lhe disser quem eu sou.”

Essa era a essência dela.

Setenta anos no trono, mas uma leveza rara no coração.
Não corrigiu. Não anunciou. Não exigiu reconhecimento.

Apenas viveu o momento.
Apenas saboreou a piada.

Algumas pessoas precisam da coroa para se sentirem importantes.
Ela podia escondê-la sob um simples lenço — e ainda assim permanecer inconfundivelmente real.

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