Ela nasceu numa pequena aldeia chamada Kocho, no Iraque.
No dia 3 de agosto de 2014, o som dos motores anunciou o fim da inocência. O grupo extremista ISIS cercou a aldeia e iniciou um genocídio contra o povo yazidi.
Nadia Murad tinha apenas 21 anos.
Porque era yazidi, foi marcada para a escravidão.
Seus seis irmãos foram executados.
Sua mãe foi assassinada e enterrada numa vala comum.
E Nadia, juntamente com outras jovens, foi raptada.
Em Mossul, começou o pesadelo.
Ela deixou de ser pessoa e passou a ser propriedade. Um comandante a comprou. Depois outro. E outro. Em apenas três meses, foi vendida sete vezes. Violência, humilhação e dor tornaram-se rotina. Tentaram quebrar o seu corpo e esmagar o seu espírito.
Quando tentou fugir, foi brutalmente punida. Espancada até não conseguir andar. Violada até perder a consciência. O objetivo era silenciá-la para sempre. Mas a voz dela sobreviveu dentro do silêncio.
Em novembro de 2014, uma porta ficou destrancada.
E a esperança entrou.
Nadia fugiu na escuridão. Uma família muçulmana arriscou a própria vida para escondê-la e ajudá-la a escapar do território do ISIS. Mais tarde, ela chegou à Alemanha como refugiada. Estava livre. Podia ter escolhido desaparecer no anonimato da cura.
Mas escolheu falar.
Em dezembro de 2015, aos 22 anos, Nadia entrou na sala do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Pequena em estatura, imensa em coragem. Não suavizou a verdade. Contou ao mundo como meninas eram vendidas, como famílias eram exterminadas e como uma cultura inteira estava sendo apagada.
O mundo, finalmente, olhou nos olhos dela.
E não conseguiu desviar.
Em 2016, a ONU reconheceu oficialmente o genocídio yazidi. Mas Nadia sabia que reconhecimento não reconstrói vidas. Em 2018, criou a Nadia's Initiative para reconstruir aldeias, escolas e clínicas e para buscar justiça para sobreviventes.
Nesse mesmo ano, aos 25 anos, tornou-se a primeira mulher iraquiana a receber o Prêmio Nobel da Paz. Enquanto o mundo aplaudia, ela lembrava que milhares ainda estavam desaparecidos. O prémio não era o fim da luta — era apenas um megafone.
Hoje, cada vez que Nadia fala, revive memórias que ninguém deveria carregar. Mesmo assim, continua. Pelos mortos. Pelos desaparecidos. Pelos que ainda não podem contar suas próprias histórias.
Ela transformou cicatrizes em testemunho.
Dor em propósito.
Sobrevivência em justiça.
O silêncio protege agressores. A verdade protege o futuro.
E Nadia Murad prova que alguém pode ser vítima de um crime sem permanecer prisioneiro da própria história.
Ela não apenas sobreviveu.
Ela obrigou o mundo a lembrar.
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