Casada com Edson Porto, o primeiro médico de Brasília, Marilda chegou à capital antes mesmo da inauguração. “Ele veio em 1956. Em 1957, eu vim para Brasília pela primeira vez, com a turma do colégio, e nós já namorávamos. Com 18 anos, a gente se casou e vim morar aqui. A casinha já estava pronta. Ele comprou uma mesinha, que eu tenho até hoje”, lembra.
Erguido também em 1957, o Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO), primeiro da cidade, atendia trabalhadores que atuavam na construção. A obra durou apenas 60 dias. Ali funcionavam ambulatórios, centro cirúrgico, serviços gerais e administração. No mesmo local, moravam, no alojamento e em casas, os funcionários do centro de saúde.
Marilda morava numa dessas residências. A primeira do conjunto. “Eu era jovem. Meu marido fazia muitos plantões. Então, muitas vezes eu passava a noite inteira no hospital para fazer companhia a ele e não ficar sozinha”, relata. Ela conta que a vila era tranquila. As portas costumavam ficar abertas e os vizinhos acabaram se tornando uma grande família. “O povo se reunia à noite. Meu marido gostava de tocar, a gente se divertia muito”, comenta.
O hospital era a única construção pronta em meio às demais espalhadas pela cidade. À época, a nova capital era sinônimo de esperança e um sonho não apenas para JK, mas também para aqueles que largaram tudo em suas cidades natais com o objetivo de construir uma nova história.
“Todo mundo era muito jovem, estava conseguindo o primeiro emprego. Muitos falavam que isso aqui não ia para a frente. A gente ficava até meio preocupado, mas deu certo, e foi uma benção para nós. Tenho muito amor por Brasília e pela maneira como ela foi feita. Da minha casinha, eu escutava o barulho das construções. Como não tinha nada, a gente ouvia o som das máquinas e todo mundo vibrava com isso”, ressalta.
floresceu e se exprimiu na evolução de um foco de vida urbana e de orgulho local. O espírito vigoroso de Velho Oeste permeia as suas ruas, em uma mescla de idealismo e comercialismo desenfreado. A vida urbana que ali brotou espontaneamente é preciosa demais para ser destruída; na verdade, não se consegue entender como foi possível construir Brasília sem levar em conta o papel desempenhado pela Cidade Livre; uma é parte da história da outra. A sua atmosfera descontraída e buliçosa faz um belo contraste com a elegância e a formalidade de sua augusta vizinha.”
David Crease, 1982
Fontes: A cidade nos países subdesenvolvidos, de Milton Santos, e Progresso em Brasília, The Architectural Review, n.782
É bem depois…
Muitos anos depois…
Em 1971, centenas de famílias moradoras da Vila do IAPI, Morro do Urubu, Vila Tenório e outras invasões na área central de Brasília foram transferidas para uma nova cidade chamada Ceilândia, com nome derivado da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI). Seus barracos foram desmontados e os pertences levados para seus novos lotes em caminhões do governo.
Foto: Arquivo Público do DF
Aqui a história da Estacso Ferroviária Bernardo Saua em 1969:





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