O CINISMO DE MONICA E JOÃO SANTANA O VELHO NOVO MARQUETEIRO DA ESQUERDA DE CIRO GOMES.

terça-feira, 27 de abril de 2021 0 comentários

 

O CINISMO DE JOÃO SANTANA O VELHO NOVO MARQUETEIRO DA ESQUERDA DE CIRO GOMES.

O sorriso da "vítima". Mas vítima não sorri...

Monica Moura (Foto: Geraldo Bubniak / AGB / Agência O Globo)

João Santana construiu a narrativa segundo a qual o PT sofre perseguição. Sua mulher, Mônica, botou tudo a perder – simplesmente porque não existe vítima tão alegre quanto ela!




Alguma coisa estragada ele deve ter comido na cadeia, para entrar sorrindo e depois mostrar essa cara estranha...
João Santana-(Foto: Geraldo Bubniak / AGB / Agência O Globo)

Parecia montagem aquele sorriso deslocado, em close, no rosto bem cuidado e sem rugas, emoldurado por cabelos alisados e ao vento. Um sorriso desbocado, de um nervosismo só traído pelo esforço da veia saltada no pescoço. Mônica Regina Cunha Moura, de 54 anos, chegava ao Instituto Médico-Legal de Curitiba com o marido marqueteiro João Santana. Ela à frente dele, “desembaraçada” como João a qualifica, com os óculos escuros de praxe, as mãos para trás como se estivesse algemada – orientação da Polícia Federal –, ostentando um largo sorriso... debochado?

“Não vou baixar a cabeça”, disse Mônica ao posar para a nação como a primeira-dama do marketing político do Brasil e sétima mulher de João Santana, o “Patinhas”, consultor de Lula e Dilma Rousseff e mago dos programas do PT. Não precisava mesmo baixar a cabeça, Mônica. Mas não deveria ter exagerado na descontração, como se estivesse no tapete vermelho da entrega do Prêmio Acarajé. Só ri assim, na hora da prisão, quem se acha acima do bem e do mal, quem tem certeza da impunidade. Só ri assim quem se sente parte de uma pantomima, onde os palhaços estão na plateia.

Não pegou bem o sorriso deslocado, desbocado, debochado. Tresloucado? Um sorriso que foi um tiro na culatra. Foi um soco, e não uma cortesia. Mônica e todos nós já ouvimos dizer que sorrir é o melhor remédio contra tensão. Que ajuda na comunicação. Que o sorriso cativa. Mônica aprendeu com o marido marqueteiro, baiano como ela, que imagem é tudo.

Já que seria presa mesmo, acusada de receber e administrar tantos milhões de dólares obscuros numa conta suíça, por que, ainda por cima, sair mal na foto antes mesmo de ser levada a uma cela? Ao sorrir altiva e desbragadamente, quem sabe garantiria lugar na primeira página dos jornais. Mônica não prestou atenção na aula de João, aquela em que ele avisou que o sorriso fora de lugar deve ser substituído não pela vergonha, mas pela sobriedade. Em Curitiba para exame do corpo de delito, após chegar bronzeada da República Dominicana, precedida de um mandado de prisão, não era o lugar certo para sorrir daquele jeito.

E não era o lugar certo porque Mônica deveria fazer o papel de vítima. 

Faltou um marqueteiro para orientá-la naquele momento-chave em que se ganha ou se perde o voto popular. João Santana construiu com tanto esmero o processo de vitimização do PT e do governo da presidente Dilma Rousseff que deveria ter convencido a mulher a ser mais discreta e, quem sabe, a aparentar fragilidade ou tristeza. Mônica, uma vítima de perseguição política e da caça às bruxas pela equipe da Lava Jato. Bruxa? Nada disso, responderia Mônica. Não estou ameaçada de impeachment e esse papo de vítima não cola mais. Se nem Dilma e Lula conseguem, mesmo com as mãos juntas em prece, convencer o país de que são vítimas da crise econômica internacional e não de seus próprios erros e desatinos...

O próprio marido, João Santana, joga para ela, Mônica Moura, toda a responsabilidade sobre as contas na Suíça. Diz que Mônica é seu braço direito. Ela é quem coordenava todos os pagamentos, ela é quem sabe quem pagou o que e quando, já que ele, João, só criava. 

Em seu depoimento ao juiz Sergio Moro, o marqueteiro e consultor de Lula e Dilma afirma que nunca manteve nenhum contrato com o poder público no Brasil e que “eventuais serviços prestados para o governo federal se deram a título não oneroso”. Também diz ter sido “um doador de serviços ao governo em razão do prazer que isso me gera e da facilidade que possuo”. 

Portanto, é Mônica que diz de onde vieram os milhões de dólares: US$ 35 milhões da Venezuela de Hugo Chávez e US$ 50 milhões do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, a maior parte em caixa dois. Pressionada pelos clientes, ela teria depositado a dinheirama no exterior. Ela também reconhece ter recebido da Odebrecht fora do Brasil.

Conforme o repórter Luiz Maklouf Carvalho publicou em ÉPOCA – e depois em livro, numa versão estendida da reportagem –,  João Santana e Mônica Moura se conheceram no tempo em que os dois eram estudantes de jornalismo na Universidade Federal da Bahia. Ela, uma caloura de 17 anos. Ele, aos 28, já trabalhava como repórter (de Veja) e voltara à universidade para concluir os estudos. 

Mônica se interessou por João logo, mas não foi uma atração mútua. Casaram em 1999. Mônica é cocriadora da Pólis Propaganda e Marketing, empresa especializada em campanhas eleitorais e responsável pelas principais campanhas do Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2006. Mônica sempre chefiou as campanhas na ausência do marido. “É a grande mulher da minha vida”, diz João. Antes de Mônica Moura, ou MM, como ela assina os e-mails, os amigos chamavam o publicitário de seis casamentos de Dom João VI.
Mônica é quem organiza a vida de João Santana: decide contratos, organiza agenda, reuniões, contatos com  imprensa, advogados, clientes, fornecedores, meia dúzia de secretários domésticos, problemas com filhos (e suas mães), netos, sogra, logística. João, muitas vezes, explode, grita e xinga, em reuniões com a equipe. Mônica acalma os ânimos depois, explicando que “João é assim mesmo”.

O casal mora em Vila Nova Conceição, bairro classe A de São Paulo, e tem duas casas de praia na Bahia. Uma em Itacaré, mais rústica e mais antiga; outra em Interlagos, um condomínio luxuoso a pouco mais de meia hora de Salvador. João é visto por lá, caminhando nas ruas internas, mas Mônica não costuma sair de casa, tampouco interage com os vizinhos.
Mônica tem dois filhos de um casamento anterior, Daniel e Alice Requião. Daniel, de 34 anos, é sócio de dois restaurantes/bares em Salvador: o 3A Bar, de comidinhas (tipo hambúrguer com fritas), e a Ocho Cevicheria, no Rio Vermelho, que virou point de jovens endinheirados de Salvador. Alice, de 31 anos, a filha mais nova, mora no Rio de Janeiro, e teve um namorico com o jogador Ronaldo (o ex-Fenômeno) em 2006. O namoro desagradou à mãe, que se queixava por Ronaldo ser muito mulherengo. 

Não sabemos se Mônica continuará a sorrir publicamente, depois do mico da semana. Pode ter descoberto que existem sorrisos de todo tipo e que é fácil detectar o verdadeiro e o falso. 

Existem o sorriso carinhoso, o condescendente, o sarcástico, o ofensivo, o desafiador. Uma pesquisa do IBGE, de 2007, indicou que a comunicação entre os seres humanos acontece 93% de forma não verbal e somente 7% verbal. Por isso sorrir seria uma forma simpática de aproximar seu interlocutor. 

O estudo mostrou ainda que, ao sorrir, 17 músculos são trabalhados ao mesmo tempo, relaxando o corpo. 

O músculo que Mônica fez contrair em quem olhou para a foto da semana foi o da revolta com esse cortejo infindável de clientes de contas bilionárias cuja origem é “desconhecida” e “jamais ilícita”. Mônica foi tachada sem perdão de perua e adjetivos mais cruéis ao reivindicar para si todos os holofotes como se desfilasse para seus 15 minutos de fama. Ficou famosa. E a vida de Mônica mudou do vinho para a água.

 

FONTE:

epoca.globo.com/tempo/noticia

RUTH DE AQUINO COM RAFAEL CISCATI

26/02/2016

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