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Deputados federais do DF gastam R$ 91 mil com gasolina em 2018
Entre janeiro e junho deste ano, a cota parlamentar de sete dos oito
congressistas bancou R$ 91.771,16 em combustíveis e lubrificantes
Você sofre toda vez que se lembra da necessidade de botar a mão no bolso
para abastecer o carro? Isso não parece ser realidade para os deputados
federais de Brasília. Só no primeiro semestre deste ano, o dinheiro público
liberado por meio da cota parlamentar bancou R$ 91.771,16 em combustíveis e
lubrificantes para sete dos oito representantes do Distrito Federal na Câmara
dos Deputados. Os dados estão no site da Casa.
Com esse valor, é possível comprar 21.091,96 litros de gasolina comum,
levando em conta o preço médio de R$ 4,351 registrado no período pela Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Um automóvel capaz
de percorrer 12km por litro poderia rodar 253.103,64 quilômetros com essa
quantidade de combustível, o suficiente para dar seis voltas no planeta Terra,
que tem em torno de 40 mil quilômetros de circunferência – e ainda sobraria um
pouquinho.
Não quer percorrer o mundo todo? Sem problemas. Como a linha reta que
separa o Brasil do Japão mede em torno de 17.360km, nessas condições seria possível
ir e voltar ao país asiático seis vezes.
Laerte Bessa (PR) foi o que mais rodou nos primeiros seis meses de 2018.
Sozinho, o parlamentar desembolsou R$ 17.961,11. Logo atrás, estão Erika Kokay
(PT), com gasto de R$ 17.308,53, e Rogério Rosso (PSD), com R$ 17.238,91.
Enquanto os dois primeiros sinalizam o desejo de se reeleger, Rosso concorrerá
ao Palácio do Buritinas eleições de outubro.
Os valores podem crescer, pois os parlamentares têm até 90 dias após o
fornecimento do produto ou prestação do serviço para apresentar documentação
que comprove gasto, para então receber o reembolso.
A cota parlamentar
No mesmo período de 2017, o montante despendido com produtos a fim de se
viabilizar a circulação dos parlamentares e suas equipes por meio de automóveis
foi de R$ 84.028,86. Se corrigido o valor da gasolina naquele intervalo pelo
preço atualizado deste semestre, o gasto real seria R$ 99.154,05.
Críticas
Se, por um lado, os deputados defendem a cota parlamentar como recurso
necessário para a atividade legislativa (confira na galeria), especialistas em
finanças públicas apontam falhas nesse argumento. O fundador e secretário-geral
da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, por exemplo, acredita
tratar-se de privilégio que torna as eleições injustas ao beneficiar cidadãos
com mandato.
“É muito difícil para o candidato que não detém mandato enfrentar uma
pessoa que usufruiu de privilégios por tanto tempo, sem contar com recursos dos
fundos partidário e eleitoral. Hoje em dia, diante das regras, a chance de
renovação é pequena” Gil Castello Branco, fundador e secretário-geral da
Associação Contas Abertas
Wladimir Gramacho, doutor em ciência política e professor da Universidade
de Brasília (UnB), diz que a vantagem existe para quem ocupa qualquer cargo,
seja no Executivo ou Legislativo. No período pré-eleitoral, destaca Gramacho,
os deputados tendem a se deslocar mais, para ficarem próximos das bases e
reforçarem os cabos eleitorais.
O doutor em custos aplicados ao setor público e também docente da UnB
Marilson Dantas destaca outro ponto: a necessidade de se aprimorar a
transparência. “Tem que dar possibilidade para o cidadão comparar as
informações de cada parlamentar. A própria gestão de custos do Poder Executivo
pode gerar esse relatório. A obrigação está exposta nos artigos 50 da Lei de
Responsabilidade Fiscal e 5º da Lei de Acesso à Informação“, concluiu.
O outro lado
Ao Metrópoles, os oito parlamentares que representam o DF na Câmara dos
Deputados foram unânimes em ressaltar a necessidade da compra de combustíveis e
lubrificantes para viabilizar o trabalho na Casa.
Confira a resposta de cada um:
O deputado federal Alberto Fraga (DEM) foi o único a não gastar com
combustível no primeiro semestre de 2018. O reembolso, porém, pode ser feito
até 90 dias após a compra do produto ou contratação da prestação do serviço
Daniel Ferreira/Metrópoles
A assessoria de Augusto Carvalho (SD) informou que o parlamentar é “um
dos mais zelosos com a utilização de verba para combustível e outros”. Frisou,
ainda, que os deslocamentos são necessários para o bom desempenho das
atividades parlamentares Reprodução/Facebook
A assessoria de Erika Kokay (PT) informou que a parlamentar manteve o
mesmo padrão de consumo verificado no primeiro semestre de 2017, “sem
considerar que a gasolina subiu 21% nos últimos 12 meses, insumo que mais teve
impacto sobre o IPCA no período”. Disse, ainda, que a deputada não utiliza “um
centavo sequer da verba indenizatória para a locação e fretamento de veículos”.
Justificou que a despesa ocorreu em tal frequência porque Erika cumpre agenda
de “segunda a segunda em todas cidades do DF, incluindo as zonas rurais” Filipe
Cardoso/Especial para o Metrópoles
Izalci Lucas (PSDB) explica que a cota parlamentar é necessária para
conseguir cumprir os compromissos parlamentares. “Tem fim de semana que eu ando
600km. Não é para a minha atividade pessoal, é para o exercício parlamentar”,
esclareceu Daniel Ferreira/Metrópoles
“Os gastos com combustível do
deputado federal Laerte Bessa não chegam à metade do permitido pela Câmara dos
Deputados, conforme Ato da Mesa 43/2009”, disse a assessoria. Segundo o
comunicado, a atividade do parlamentar não se restringe ao plenário, comissões,
audiências e seminários na Casa, pois “existem agendas e eventos em todas as
regiões administrativas do DF e Entorno, e, portanto, o recurso é utilizado para
o pleno exercício do mandato” Michael Melo/Metrópoles
Por meio da assessoria, Rogério Rosso (PSD) afirmou residir no Entorno do
DF, “razão que justifica seu deslocamento para o cumprimento de suas atividades
parlamentares”. “O deputado Rosso tem a honra de ser um dos representantes da
bancada do Distrito Federal, sendo um dos parlamentares mais atuantes na Câmara
federal, sempre com responsabilidade no uso de recursos públicos”, destacou
Michael Melo/Metrópoles
Já Ronaldo Fonseca (Podemos) observou que os gastos com combustíveis não
“se resumem a deslocamentos para a residência e incluem a atividade parlamentar
como um todo”. Disse que o produto é utilizado para realizar o trabalho na
Região Integrada do Desenvolvimento do Centro-Oeste”. Segundo a assessoria, o
dispêndio não tem relação com a proximidade das eleições, pois “o deputado não
é candidato” Rafaela Felicciano/Metrópoles
Rôney Nemer (PP) disse que atua “em todas as regiões administrativas do
DF e no Entorno”. Além disso, trabalha “na assessoria em ações externas”. “Não
há nenhuma relação com o período eleitoral. Somos demandados e buscamos
contribuir da melhor forma possível”, concluiu Michael Melo/Metrópoles
Fonte: Metrópoles
Foto: Cícero Lopoes/Metrópoles

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