Segurança pública em cheque no estado de Goiás após assassinato do radialista

segunda-feira, 9 de julho de 2012 0 comentários

Policia goiana tem imagens dos assassinos do radialista assassinado covardemente na frente da emissora em que trabalhava.

A Polícia Civil de Goiás está analisando as imagens feitas por câmeras de segurança para tentar identificar o assassino do cronista esportivo Valério Luiz de Oliveira, de 49 anos, morto a tiros na tarde de ontem (5), no momento em que deixava a emissora Rádio Jornal, em Goiânia.
De acordo com o delegado adjunto da Delegacia de Homicídios, Carlos Caetano Júnior, a polícia trabalha com a hipótese de morte encomendada. Seis tiros foram disparados contra o carro de Oliveira, sendo que quatro atingiram o tórax da vítima. “A polícia civil está trabalhando com [a hipótese] de execução. Com possibilidade de ele ter sido a mando de alguém. Estamos ouvindo testemunhas e parentes e procurando imagens. O local [onde o jornalista foi morto] é de alta concentração urbana”, disse o delegado à Agência Brasil.


No momento do crime, as câmeras de segurança do prédio da emissora estavam desligadas. A perícia está analisando as imagens feitas por câmeras de monitoramento das residências e de estabelecimentos comerciais próximos ao edifício da emissora. Testemunhas disseram aos policiais que o homem que fez os disparos fugiu em uma moto.
Segundo Carlos Caetano, Valério era um jornalista esportivo que tinha opiniões muito fortes. “Ele era um jornalista esportivo, mas era muito duro em algumas opiniões. Não media palavras. Era muito amado e muito odiado”. O corpo do jornalista foi velado na manhã de hoje (6), no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia. O sepultamento ocorreu às 11h.

Jornal de Brasília




REFLEXOS EM BRASÍLIA;



Goiás 247 – Há duas semanas, o juiz Paulo Augusto Moreira Lima pediu para deixar o caso do bicheiro Carlos Cachoeira. O motivo: medo. Nesta quinta-feira, o jornalista Valério Luiz foi assassinado à luz do dia, em Goiânia, deixando seu local de trabalho, com sete tiros à queima-roupa. Nesta manhã, foi preso o cunhado do bicheiro Carlos Cachoeira, Adriano Aprígio, porque ele vinha ameaçando a procuradora Léa Batista, responsável pelo caso. São três fatos em sequência, que expõem o “faroeste caboclo” do estado de Goiás. Diante do quadro, ou o secretário de Segurança, João Furtado Neto, toma providências enérgicas, ou terá sua liderança questionada pela própria sociedade goiana.
Na capital, a população está chocada com o caso do radialista. A execução de Valério Luiz à luz do dia num bairro nobre de Goiânia é uma triste crônica da fragilidade do sistema de segurança pública em Goiás. Um motociclista se aproxima calmamente do carro onde está o radialista e faz um disparo. Ele para a moto. Desce. Contorna o automóvel. E efetua outros cinco tiros. Sobe na moto e vai embora calmamente, pela contramão, sem qualquer temor, sem ser importunado. Como quem compra um pão. Resumo: os bandidos perderam o medo. Os órgãos de segurança em Goiás, comandados pelo secretário  João Furtado, precisam reagir. E rápido.
Goiás tem ocupado sistematicamente as manchetes nacionais com tristes notícias relacionadas à violência e à corrupção. Isso pode, em parte, explicar a ousadia dos marginais. A Operação Monte Carlo revelou que o crime organizado mantinha relações profundas com o senador Demóstenes Torres, que deverá ser cassado na próxima semana.  A Operação Trem Pagador, que prendeu José Francisco das Neves, o Juquinha, sorrindo, é outraa evidência de que, para alguns, o crime compensa.
Que imagem da instituição o criminoso constrói ao assistir pela TV um juiz federal pedir para deixar a investigação mais importante do País por ter sua vida e a de sua família ameaçada? Ou uma procuradora da República receber e-mails que a qualificam de “vadia”? A fraqueza da segurança pública em Goiás dá ao bandido o exemplo da leniência, da tolerância, da impunidade.
Mapa da Violência
Os índices de criminalidade apontam uma situação preocupante. A taxa de homicídios subiu 45% em dez anos. É o que mostra o Mapa da Violência 2012 do Instituto Sangari. No Estado a taxa de homicídios subiu de 20,2 em 2000 para 29,4 em 2010 a caea grupo de 100 mil habitantes. No país o movimento é contrário, recuou de 26,7 para 26,2 homicídios.
Entre 2000 e 2010, foram registrados no Estado 15.620 homicídios, 27.625 deles na Região Metropolitana de Goiânia, na qual o índice pulou em dez anos de 25,3 homicídios para 100 mil para 33,3 homicídios para 100 mil habitantes. A capital subiu três posições e agora é a 15ª mais violenta do país.
No Entorno de Brasília a situação é crítica. A cidade de Águas Lindas de Goiás foi considerada a mais violenta do Estado, com 61,7 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por Cristalina (59), Valparaíso de Goiás (54,9), Novo Gama (54,8), Santo Antônio do Descoberto (54,5), Luziânia (52,5), Cidade Ocidental (49,1) e Planaltina (47,7), todas na região do Entorno. As cidades também figuram na lista das 200 com mais homicídios proporcionais em todo o país.
Nos últimos dez anos, a taxa de homicídios subiu de 13,1 em 100 mil habitantes para 18,1 no interior do Estado. Os aumentos mais significativos da década aconteceram em cidades de 100 a 200 mil habitantes, nas quais se enquadram alguns dos municípios do Entorno.
Por ironia, a publicação dos números coincidiu com a divulgação, pela Secretaria de Segurança Pública, do planejamento estratégico para reduzir a criminalidade no Estado. O plano, lançado em novembro do ano passado, projetava uma redução de 20% nos números da violência. De lá para cá, porém, não só a sensação de impunidade cresceu assustadoramente como também os números de crimes associados ao tráfico de drogas, homicídios e roubos de veículos. Atualmente são roubados cerca de 40 veículos por dia em Goiânia. Os números de homicídios batem recordes sucessivos.
Goiás vive uma situação de violência endêmica inaceitável e que revolta a sociedade. A pressão sobre as autoridades chegou ao limite com o assassinato de Valério. Espera-se uma resposta dura e rápida. Já passa da hora do secretário Furtado bater a mão na mesa. Antes que a tomem dele.



Do site 247

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