》Ele se recusou a entregar a faixa presidencial… e saiu pelos fundos.
A transição do regime militar para o governo civil no Brasil foi marcada por um dos momentos mais tensos da história política nacional. Em março de 1985, enquanto Tancredo Neves lutava pela vida, a relação entre o último presidente militar, João Figueiredo, e seu sucessor legal, José Sarney, chegou ao limite.
Figueiredo via Sarney como um traidor. Para ele, o ex-aliado havia abandonado a base governista da ARENA/PDS para se juntar à oposição na chapa da Aliança Democrática. Revoltado, declarou publicamente que não entregaria a faixa presidencial a alguém que “mudou de lado” justamente no momento decisivo da transição.
E ele cumpriu a promessa.
No dia da posse, enquanto Tancredo era levado às pressas para uma cirurgia que acabaria sendo fatal, Brasília mergulhava em incerteza. No Palácio do Planalto, Figueiredo evitou qualquer contato com Sarney, deixou o local por uma saída lateral e foi embora sem sequer cumprimentar o novo presidente.
O gesto quebrou uma tradição republicana histórica. Sem a presença do antecessor, a faixa presidencial precisou ser guardada por funcionários do palácio, em vez de ser entregue oficialmente. Era o encerramento frio, amargo e silencioso de 21 anos de regime militar.
Sarney assumiu interinamente em meio a forte resistência de setores militares ainda influentes. Já Figueiredo se recolheu da vida pública, mas nunca escondeu suas críticas ao novo governo.
Até hoje, a recusa em passar a faixa é lembrada como um dos símbolos mais marcantes da redemocratização brasileira: um momento em que o poder mudou de mãos… mas não sem rancor.
Na sua opinião, Figueiredo agiu por convicção ou apenas por orgulho ferido?

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