O CASO ANGELINI
O dia em que Taguatinga parou...
Uma nova década se iniciava... Os promissores anos 80 traziam novas esperanças, mas também traziam inquietude em todos os lugares. Em Taguatinga não foi diferente! Com um crescimento vertiginoso da população e das atividades comerciais da cidade, minhas lentes viam a cidade enfrentar os problemas da falta de segurança. Contudo, o que queriam mesmo era ver a polícia nas ruas. 
E todos na cidade tinham a mesma sensação. Sensação essa que se materializou no dia 22 de maio de 1980, o dia em que Taguatinga parou para exigir mais policiamento, mais segurança. Havia sete dias que a cidade chorava pelo brutal assassinato dos queridos irmãos Marcos Pereira Angelini, José Pereira Angelini e Marcelo Pereira Angelini, proprietários do Posto Brecol, e de Hermes Alves Lopes, dono do Mercado Lopes, em Ceilândia. Convocados pela Associação Comercial e Industrial de Taguatinga, a ACIT, e por todas as entidades representativas do setor, ao 12h, o comércio inteiro fechou suas portas para às 16h se reunir no centro de Taguatinga. Foi emocionante! O trânsito parou completamente e todas as pessoas se voltaram em oração, em protesto, rezaram em praça pública para que fossem controlados os assaltos à mão armada, que aumentavam cada vez mais, fazendo vítimas empregados e empregadores. E para aumentar o efetivo da polícia nas ruas, trazendo de volta a tranquilidade para as milhares de indústrias, centenas de estabelecimentos comerciais e dezenas de agências bancárias, consultórios médicos e clínicas particulares da cidade. Foi o dia em que fotografei uma cidade de luto e uma sociedade que se se mobilizava para exigir e clamar para que a polícia intensificasse o seu trabalho e livrasse a cidade de “Destemidos” e “Desalmados” que em gangs atemorizam Taguatinga e região. 
Esperava, para os próximos dias, registrar mais viaturas de plantão, e não apenas “patrulinhas” passando, pois assim como os moradores e trabalhadores da cidade, sabia que muito dos problemas enfrentados se originavam do fato de que eram poucos os policiais nas ruas e que a comunicação entre eles era precária. Foi revoltante ouvir da cúpula da segurança no Distrito Federal, que o Caso Angelini era apenas mais um caso para eles... Ainda bem que em poucos dias a manchete do Correio Braziliense apresentava o esclarecimento da “sórdida história da chacina dos Angelini”, mais uma grande apuração do jornalista Mário Eugênio. Os assassinos disseram que estavam drogados e que mataram porque os irmãos reagiram, porque Hermes reagiu. A cidade não queria chorar outras perdas e nem mais ver sangue derramado: parar foi preciso! Meses depois, em outubro, Taguatinga assistiu à condenação dos cinco criminosos, as maiores penas foram de cinquenta anos. Dois anos depois, alguns deles, em fuga da Papuda, foram assassinados pela polícia no Distrito Federal e no Pará.
Para Taguatinga, não era mais admissível perder cidadãos como Marcos Pereira Angelini, que tanto lutou pelo desenvolvimento da cidade e pela melhoria das condições de vida de seus moradores, da forma como ocorrido. Entre as tantas realizações, Marcos havia sido presidente do Rotary Club de Taguatinga entre os anos de 1974 e 1975. A frente da Instituição, Marcos foi conhecido pela renovação que promoveu no espírito dos rotaryanos e laureado com o Cartão de Prata do Rotary, por em dez anos de participação ter frequentado 100% dos encontros. Foram muitos os trabalhos pela melhor qualidade de vida dos excepcionais, dos pobres alunos das escolas em Taguatinga e das crianças em geral, dos idosos, do HRT e até pelas debutantes da cidade. Para ele, mesmo que os problemas fossem comuns em todo o mundo, era necessário que cada um fizesse a sua parte em busca de solucioná-los, utilizando todas as ferramentas possíveis para tanto.
Texto e imagem:
Getúlio Romao..

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