COMBUSTIVEIS NO DF:DONOS DE 13 REDES DE POSTOS VIRAM RÉUS POR
ATUAÇÃO EM CARTEL E JUSTIÇA BLOQUEIA R$ 800 MILHÕES DE ACUSADOS
A Justiça recebeu
denúncia contra 28 acusados de participação no esquema de cartel de postos de
combustível, que viraram réus por crimes contra a ordem econômica e organização
criminosa. O grupo foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao
Crime Organizado do Ministério Público, após quase três anos de investigação. A
Justiça determinou ainda o bloqueio de bens dos acusados no valor de R$ 800
milhões.
O aprofundamento das
investigações ocorreu depois que empresários da Rede Cascol, a maior do DF,
firmaram acordo de delação premiada com o Ministério Público. Os donos e
funcionários do grupo entregaram detalhes do esquema. O promotor Pedro
Dumans, coordenador do Gaeco, explicou que o acordo foi importante para
esclarecer a forma de atuação do grupo criminoso. “As informações fornecidas
por donos da rede permitiram conhecer meandros da atuação e a forma de
comunicação e de ajuste de preços”.
A investigação ocorreu
de forma conjunta com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e com a
Polícia Federal. Além de redes investigadas durante a primeira etapa da
Operação Dubai, em 2015, novas empresas e distribuidoras foram
denunciadas pelo MP.
O delegado da Polícia
Federal João Thiago Pinho, que atuou nas investigações, contou que, além de
depoimentos de acusados e de testemunhas, houve interceptação telefônica e de
e-mails. “Esse trabalho gerou uma redução muito forte dos preços praticados no
Distrito Federal”, lembrou o delegado.
O superintendente do
Cade, Diogo de Andrade, lembra que o bloqueio de R$ 800 milhões dos acusados é
uma medida importante, que, segundo ele, só tem paralelo no Brasil em ações da
Operação Lava Jato. “O DF era um mercado que destoava do resto do país, era uma
unidade da Federação inteira praticando o mesmo preço do litro da gasolina”,
lembrou Diogo.
Confira os nomes das redes e empresas cujos donos viraram
réus:
Rede Cascol
Rede Gasolline
Rede JB
Rede Auto Shopping
Rede Planalto
Rede Braga
Rede São Roque
Rede Karsev
Rede Original
Rede Petros
Rede Jarjour
Posto dos Anões
Posto PB
MAIS:
O dono da Rede Cascol, Antônio Matias, fechou acordo de
delação premiada com o Ministério Público do Distrito Federal e, em troca de
benefícios, entregou detalhes do funcionamento do cartel de combustíveis.
Com a colaboração do réu, o MP, a Polícia Federal e o Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade) ampliaram o rol de empresários, distribuidoras e redes
de postos investigados.
Carga pesada e ainda por cima os carteis de preços!
Em uma série de depoimentos prestados a partir de 2017,
Antônio Matias revelou que as primeiras reuniões de combinação de preço
começaram em 2011 e, inicialmente, eram realizadas no Sindicato dos
Revendedores de Combustíveis. A partir desses encontros, os preços eram fixados
e se disseminavam no mercado. “Funcionários da rede faziam o monitoramento
e identificavam revendedores dissidentes”, explica a promotora Áurea Regina.
Com os depoimentos, Antônio Matias e mais dois funcionários
da Rede Cascol conseguiram uma redução de pena. Eles foram denunciados por
organização criminosa, que tem pena mínima de três anos, e por crimes contra a
ordem econômica, cuja pena mínima é de dois anos. Segundo o MP, a partir
das negociações, Antônio Matias teve uma pena pré-fixada nas negociações de
dois anos, que está sendo cumprida em regime semiaberto, com progressão em
breve para o regime aberto.
Na delação premiada, Antônio Matias afirmou ao MP e à polícia
que postos de bandeira branca também teriam participado do esquema de
combinação de preços. “Os postos bandeira branca, como os do Jarjour,
do Alemão Canhedo e do Marco Crioulo, também participavam da combinação de
preços do cartel, mesmo adquirindo combustível por um preço mais baixo. Como
parte da combinação de preços, esses postos praticavam preço de bomba com a
diferença de R$ 0,02 para baixo, em relação aos postos bandeirados”, afirmou
Matias.
O blog procurou os advogados Alexandre José Garcia e
Giovanna Bakaj, que representam o dono da Rede Cascol e acompanharam os
depoimentos, mas ainda não obteve retorno. Em nota, a Rede Cascol afirmou que
“em abril do ano passado, assinou um acordo com o CADE e MP, que vem sendo
rigorosamente cumprido, reiterando o seu compromisso de respeito à livre
concorrência, de renovação das suas práticas empresariais e de implementação de
rigorosas políticas de compliance”.
Dono da Rede Jarjour, o empresário Abadallah Jarjour,
que foi denunciado pelo MP, nega qualquer participação no esquema de cartel.
Ele disse que foi pego de surpresa com a denúncia e com o bloqueio de bens
imposto a pedido do MP. “Fui o primeiro a brigar com o cartel. Hoje, eu coloco
o preço baixo e os outros acompanham. Por isso sou culpado? Por ter sido citado
por uma pessoa que está andando de tornozeleira por aí e que não tem nenhuma
credibilidade?”, questiona. “Nunca participei de sindicato, de associação, não
converso com nenhum dono de posto. Coloco o preço a partir do sentimento de que
não vou perder dinheiro. Estou tranquilo porque nunca participei de combinação
nenhuma”, acrescentou.
A defesa do empresário Ulisses Canhedo, também
mencionado por Antônio Matias, ainda avalia o conteúdo da denúncia. O advogado
de Canhedo, Fabrício de Aquino, disse que só teve acesso ao material hoje e
ainda não concluiu a análise.
Com informações de Correio Braziliense
Com informações de Correio Braziliense




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